segunda-feira, 21 de julho de 2008

Muda de Penas!

Mesmo sendo muito resistentes, as penas dos pássaros precisam ser substituídas anualmente. Embora, a qualquer momento, se uma pena for arrancada ou vier a cair por qualquer motivo, outra nasça em seu lugar, a época da muda das penas ocorre após a estação de reprodução, no período compreendido entre janeiro e maio, com maior concentração nos meses de fevereiro e março.
Na natureza o período de troca da plumagem se arrasta por cerca de quatro meses. Em viveiros ou gaiolões também é mais demorada. Tudo por conta da necessidade de o pássaro manter uma condição ótima de vôo.Em ambiente doméstico, ocupando gaiolas típicas, um bicudo não deve levar mais de 8 semanas na troca da plumagem. Há espécimes que completam a muda em 40 dias, mas estes são a exceção e não a regra.A época da muda varia um pouco de uma região para outra, sendo influenciada pela temperatura, umidade relativa do ar e, principalmente pelo foto-período.Aspectos psicológicos podem influenciar a entrada do pássaro em muda. Um bicudo em meio às fêmeas ou ouvindo e disputando canto com outros machos poderá retardar sua entrada na muda. O pássaro necessita tranqüilidade para uma muda natural.Devemos evitar prolongar o período de reprodução para não comprometer a muda do plantel. Os filhotes tirados a mais nessa temporada, serão cobrados na produção futura.Fatores de estresse como mudança de ambiente, viagens, variações bruscas de temperatura, mudanças e desequilíbrios na dieta poderão precipitar a entrada do pássaro na muda.Há quem busque induzir a entrada em muda, forçando uma situação de estresse para o pássaro. A forma mais comum são os choques vitamínicos na dieta. Muitos deixam que os pássaros passem fome e/ou sede. Aumentar a quantidade de zinco na dieta também induz à entrada na muda. Forçar a muda não é prática recomendável.A muda é um processo natural na vida das aves, relacionado a fatores biológicos, ligados aos hormônios produzidos pela tireóide. A fase da muda é mais complexa que a simples substituição das penas, envolvendo processos que não são percebidos como, por exemplo, a reorganização do aparelho reprodutivo. Durante a muda, as fêmeas não produzem óvulos e os machos perdem temporariamente a fertilidade. Daí ser comum ocorrer de um bicudo, próximo de entrar na muda ou terminando-a, galar uma fêmea e não fertilizar os ovos.Durante a muda os bicudos esfriam, param de cantar e na maioria das vezes diminuem muito a sua movimentação na gaiola. Na natureza param as disputas territoriais e se juntam aos bandos, machos e fêmeas.Em nosso criatório adotamos a retirada dos ninhos e das divisórias separadoras das gaiolas, permitindo que as fêmeas mantenham contato visual em tempo integral, desde o término da estação de reprodução até o final da muda. Esse procedimento faz com que mesmo as fêmeas mais fogosas, que ainda estão querendo cruzar, esfriem e entrem em muda. Os galadores são retirados do ambiente.As penas devem cair devagar, naturalmente, de forma a que quase não se perceba sua entrada em muda. Se de um dia para outro a gaiola aparecer forrada de penas ou se partes da pele estiverem expostas, há algo errado.Os filhotes nascem quase pelados, cobertos com uma finíssima plumagem. Aos poucos vão aparecendo as penas e quando saem do ninho já estão empenados por inteiro.No terceiro ou quarto mês de vida efetuarão uma muda que chamamos muda de ninho. Essa muda não é completa. As penas das asas e da cauda não são substituídas (rémiges e rectrizes). Mudam somente as penas do peito e da cabeça.Nos adultos a muda das penas das asas e do rabo é iniciada do centro para as extremidades. Em ambas as asas as quedas são simultâneas. As penas do corpo são renovadas quase simultaneamente e as últimas a serem substituídas são as da cabeça. Dizemos que um bicudo enxugou a muda quando não vemos mais nenhum cartucho de penas novas em sua cabeça.Podem ocorrer características particulares na muda de alguns pássaros, sem que, necessariamente, esteja ocorrendo um problema. Em nosso criatório há uma fêmea que inicia a muda perdendo quase todas as penas da cabeça, permanecendo assim até o final da muda. Todos os anos é a mesma coisa. Sua muda se completa sem nenhum problema. Há ainda um macho que fica com um pedaço da nuca sem penas durante toda a muda. Se não o conhecesse-mos seria tratado contra ácaros. Terminada a muda volta ao normal, com uma plumagem muito bonita. São exemplos de pássaros com características atípicas na muda.No final da primeira muda completa os bicudos machos apresentam penas marrons mescladas com penas pretas, sendo chamados pintões ou maracajás. Essa plumagem marca o que seria o período de adolescência do bicudo. Na próxima muda ficará com a definitiva plumagem negra e será considerado adulto.A muda de penas é um evento natural na vida dos pássaros, não pode ser tratada como uma enfermidade. No entanto, os pássaros ficam mais debilitados e suscetíveis às doenças nesse período, inspirando mais atenção, especialmente com variações bruscas de temperatura e com correntes de ar.Temperaturas mais elevadas favorecem uma muda mais rápida. Muitos criadores encapam a gaiola durante a muda, com a intenção de manter o pássaro mais tranqüilo e protegido de variações bruscas de temperatura. Com a menor circulação de ar pela gaiola encapada, podem surgir problemas sanitários causados pelos vapores emanados dos excrementos do pássaro, notadamente a amônia. Podem ocorrer desde irritações dos olhos e das vias respiratórias até uma intoxicação mais séria. Para contornar o problema, é colocado na bandeja da gaiola carvão vegetal triturado. O carvão vegetal é conhecido pela sua capacidade de absorção e retenção de substâncias químicas. Tanto é que sua presença é comum em muitos filtros. Isso deu início à lenda de que carvão no fundo da gaiola ajuda na muda. Já vimos vários criadores com gaiolas desencapadas e forradas de carvão, para “desencruar a muda”.Os banhos são permitidos e recomendados, com a precaução de evitar dias e horas mais frios. Duas gotinhas de vinagre de maçã na água do banho ajudam na prevenção de ácaros e conferem um aspecto de limpeza à plumagem. Banhos de sol são excelentes.Uma dieta equilibrada é garantia de muda bem feita. Se o criador desejar uma suplementação especial para a muda, pode ministrar Hemolitan Pet (1 gota em 50 mL) por 5 dias consecutivos na entrada da muda. Suplementar a dieta com lisina e metionina, que as aves podem converter em cistina, contribui para a formação de uma melhor plumagem. A proteína nos tecidos das penas contém elevados teores de cistina.Na mistura de sementes cabe incluir 5% de sementes de linhaça, para que a plumagem adquira mais brilho.Quando um pássaro muda de forma mais lenta, é comum ouvirmos que está com muda francesa. No entanto, não há propriedade nessa afirmação, se o pássaro não estiver acometido por um vírus natural dos mamíferos que se adaptou às aves, mais precisamente um polyomavirus, da família dos papovaviridae, neste caso designado por um avipolyomavirus. Na realidade, a muda francesa se trata de uma variante menos fatal do verdadeiro vírus, designado por Budgerigar Fledgling Disease Virus (BFDV), característico por afetar o crescimento das penas. Pássaros adultos poderão ser portadores assintomáticos dessa virose. É comum que apresentem plumagem irregular e sem brilho, com algumas penas mais curtas ou eriçadas.Quando a muda não transcorre como o previsto, devemos buscar as causas do problema.As causas clínicas mais comuns são parasitas de pele, parasitas internos (vermes, protozoários), infecções bacterianas ou fúngicas na pele ou nos folículos das penas, alergias, distúrbios hormonais, desnutrição, aspergilose (infecção respiratória fúngica), doenças internas (doenças hepáticas) e carências nutricionais.As causas psicológicas ou comportamentais são o estresse, medo, susto, luz no criatório reduzindo as horas de sono, mudança brusca na rotina do pássaro, presença de outros pássaros cantando no recinto ou mistura de machos e fêmeas, principalmente, em diferentes estágios da muda.Outra prática tradicional de muitos criadores é colocar o pássaro para exercitar-se em gaiolões no final da muda.E exercícios são benéficos não apenas para os pássaros. No entanto, colocar um pássaro em um gaiolão e depois de um mês devolve-lo à gaiola convencional é uma prática de pouca valia. Equivale a praticarmos esporte durante um mês por ano.Os pássaros que são condicionados a permanecer em gaiolões, passando para gaiolas convencionais apenas por ocasião de passeios, treinamentos e torneios, apresentam condição física superior em suas apresentações. É impressionante como se mostram alegres com a aproximação da gaiola. Sabem que vão passear.Concluída a muda é hora de vermifugar o plantel, cortar as unhas que estiverem fora de medida e iniciar os preparativos para a temporada de reprodução e torneios.

Um comentário:

Tiago Luciano disse...

Meu azulão entrou na muda a 3 semanas. Aqui onde mora anda ventando muito frío mas preciso dar banho de sol de manhã e tarde. Devó continuar comos banhos? E também devo estar mostrando a Azulão fêmea a ele nessa muda? Sou criador novato e preciso de.ajudá com meu azulão na muda. Email para contato: eticatiago@hotmail.com